sábado, 28 de janeiro de 2012

Brastemp Prêt-à-Porter

Outro dia comentei sobre a dificuldade de comprar água destilada em Belo Horizonte. Um comentarista (Gleison) me indicou uma loja (está lá no comentário). Eles têm o produto em apresentações convenientes, e, o mais importante, vendem no varejo e com um preço razoável. No momento, se tornaram meus fornecedores de água destilada.

A água destilada é para usar na Brastemp Prêt-à-Porter, uma desodorizadora, secadora e passadeira de roupas a vapor.

Ela funciona da seguinte maneira: após montá-la (veja no link acima como é), devem ser colocadas as peças (até duas, para melhor desempenho) dentro dela. Após colocar a água destilada e fechar o aparelho, inicia-se manualmente o seu ciclo de funcionamento. Ela esquenta a água e envolve as peças em vapor, o que retira vincos, amassados e cheiros (como fumaça ou perfume). Se você deixar a máquina executar o ciclo completo, após o término do vapor a máquina irá secar e esfriar as peças, deixando-as prontas para vestir (daí o nome do produto).

Ela não serve para passar a roupa como se fosse um ferro, ou seja, após lavar uma peça de roupa, ainda é preciso passá-la. Entretanto, ela tira com facilidade amassados do dia-a-dia, o que facilita que uma determinada peça seja usada mais de uma vez e ainda fique limpa e cheirosa, contribuindo para a durabilidade da roupa.

Recomendo, é um bom produto, prático e não muito caro (por volta de R$ 450). Creio que valha o que custe, especialmente para quem não tem muito tempo.

Interessante que quando o produto foi introduzido (acho que foi em 2007), ele custava cerca de R$ 900 e era vendido como "passadeira de roupas". Como dito acima, após a lavagem, ainda é precisa passar a roupa no ferro. Então muita gente reclamou que o produto não era uma passadeira, etc. Resultado: hoje ela é bem mais barata e é vendida como "desodorizadora", o que ela também faz.

PS: Para quem tiver muito dinheiro e espaço, ou para uso institucional, existe um aparelho maior e mais robusto que funciona de forma semelhante, chamado Agillisa.

Desabafo

Tem gente que vai ao cinema só para atrapalhar, principalmente quando o filme é gratuito.

Diversas vezes (especialmente no Cine Humberto Mauro, mas não apenas) já tive o desprazer de dividir a sessão com:

- Gente que leva sacolinha plástica VAZIA e fica esfregando;

- Gente que desiste do filme e fica escutando RÁDIO;

- Gente que dorme e RONCA.

Isso vai muito além dos incômodos costumeiros, como cochichar ou deixar o telefone tocar. Parece que são pessoas que têm prazer em trollar, na vida real, o próximo, tal qual este infeliz. O pior, geralmente ficam impunes.

Deveriam trazer de volta o lanterninha — infelizmente, mais um custo para os cinemas, mas a educação do povo não ajuda nem um pouco.

PS: Tem gente pensando no problema — a conferir.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Pet Peeves Nºs 1399, 1400 e 1401

"Pet peeve" é uma expressão em inglês utilizada para falar de coisas que incomodam você, mas que não necessariamente incomodam outras pessoas.

Alguns pet peeves meus — por algum motivo, lembrei desses hoje:

- Gente que chama pasmaceira, situações tediosas, de "marasmo". A primeira acepção de marasmo que conheci foi a da doença — sim, existe uma doença, ou melhor, uma situação clínica, chamada marasmo. Daí toda vez que alguém fala marasmo, é esse problema de saúde que me vêm à cabeça. Não seria um problema tão grande se junto não viessem as imagens mentais de pessoas com marasmo. Não é nada bonito. Se tiver coragem, coloque "marasmo doença" ou "marasmus" no Google Imagens.

- Gente que chama qualquer coisa pequena ou frágil de raquítica. Basicamente pelo mesmo motivo acima. O raquitismo é uma aflição terrível (corajosos, cliquem aqui).*

- O principal dessas três pequenas irritações — loja-arapuca de roupa social. Como se chama o conjunto masculino de calça e paletó de  mesmo tecido e de corte social? Muito provavelmente você pensou "terno".

Acontece que "terno" é o nome do conjunto de paletó, calça E colete, no mesmo tecido, padronagem e corte social. O conjunto de duas peças é chamado de "costume".

Pois bem, está o consumidor incauto passeando pelo shopping quando vê uma "promoção de ternos". Aí ele entra na loja, fala para o vendedor que quer experimentar "um terno" e aponta para o cabide com o paletó e a calça. Nessa hora, o vendedor** dá um sorrisinho e corrige, com uma pitada de condescendência "ah, você quer experimentar um costume" e, didaticamente, explica a diferença entre terno e costume. Acontece que a promoção da loja é de costumes, e não de ternos. Os ternos não estão na promoção, apenas os costumes. Ou seja, a loja, para lhe chamar a atenção chama os costumes de ternos — "promoção de costumes" parece algo missionário ou das aulas de moral e cívica . Mas, na hora de olhar as peças, muitos vendedores ignoram a licença poética e dão uma rápida aulinha, nem sempre muito educada, ao clientes.

* Mea-culpa


** Valorize os bons vendedores, eles não são comuns. 

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Teorema do Ar Condicionado

O Teorema da Impossibilidade de Arrow¹ é uma importante referência para a economia e a ciência política. Ele ajuda a mostrar as limitações da agregação de preferências (como uma decisão é tomada a partir da união da preferência de muitos, como por exemplo um processo eleitoral), e, com isso, as limitações da ação pública e política.

A partir de uma demonstração elegante (mas complexa), esse teorema indica que quando existem mais de duas opções a serem escolhidas em uma agregação de preferências, não é possível ter, ao mesmo tempo, todas as diversas qualidades que seriam desejáveis, como eficiência (sob o critério de Pareto), preferências irrestritas e não-imposição de vontades. Ou seja, uma agregação de preferências, ainda que seja razoavelmente boa, será imperfeita.

Uma vez, na faculdade, um professor fez uma explanação como essa, e afirmou que ele não via tantos méritos nesse teorema. Segundo ele, seriam tantos os requisitos que o teorema estabeleceria para considerar como ideal uma agregação de preferência que, de fato, tornaria-se impossível atender a todos ao mesmo tempo. Dessa forma, para ele a importância do Teorema da Impossibilidade não seria grande.

Estava pensando nessa discussão outro dia. Você provavelmente já esteve em uma sala com ar-condicionado no qual, se pudesse, mexeria. Talvez por achar que o ar está frio demais ou pouco frio. Ou talvez o barulho tenha lhe incomodado.

Agora imagine uma sala com cem pessoas. Algumas podem ser alérgicas, outras podem ter trazido casaco, outras estão com roupas leves, e alguém pode estar com saudades das férias de inverno em Moscou. Se você já esteve numa situação dessas (e com o controle do aparelho na mão), sabe o quanto é difícil achar uma solução que agrade a maioria — quanto mais uma que agrade a todos.

De certa forma, essa é uma das limitações do processo político. Escolhas que afetam muitos precisam ser feitas o tempo todo, afetando uma multiplicidade de agentes, de diferentes formas. Imagine-se como um importante tomador de decisões públicas: é como se você tivesse um controle de ar condicionado na mão e precisasse considerar a preferência de milhares, talvez milhões, de pessoas.

Claro que diferentes agentes têm acesso diferenciado ao poder político (um industrial poderoso terá mais influência que um cidadão comum), bem como existem diversas outras complicações (como a burocracia e suas preferências). Ainda assim, se o Teorema da Impossibilidade pareceu muito exigente para aquele professor, imagino que ele concordaria com um "Teorema do Ar Condicionado".

1 - O artigo na Wikipedia em inglês é mais detalhado.

domingo, 22 de janeiro de 2012

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Tino e Tirocínio mantegal

O Cristiano Costa popularizou o termo "mantegada" para as memoráveis frases do ministro Guido Mantega. Exponho então uma mantegada desta entrevista do ministro:

Agora, em 2008, não precisei conversar com a indústria automobilística. Somos economistas profissionais faz tempo. Você olha a economia e sabe o setor que gera mais dinamismo, puxa a demanda, traz o efeito multiplicador.


Parece que o De Gustibus, em vez de apontar a falta de estudos empíricos sobre o efeito multiplicador na economia brasileira, deveria mandar um ofício lá para para o Ministério da Fazenda.


(HT: @brandizzi)

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Lançamento do novo álbum + gravação do DVD - Graveola

Para quem estiver em Belo Horizonte na data, altamente recomendado:


domingo, 15 de janeiro de 2012

Grupo é preso com dólares

N'O Tempo:

















...afinal, quatro dólares ainda são dólares.

Dolagem é o termo utilizado para embalagem desse tipo de substância (droga).

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Crise na Islândia e o economista X

Hoje estava lendo um pequeno artigo sobre a nova constituição da Islândia, quando um trecho me chamou a atenção:

It took a deep crisis to produce this sea change, a crisis inflicting on creditors, shareholders, and depositors abroad as well as at home financial damage equivalent to about 7 times Iceland’s GDP, a world record. The local equity market was virtually wiped out. Iceland’s crash was probably the costliest financial crash on record relative to the size of the country (Gylfason 2011).
Ou seja, é possível que o cataclismo econômico islandês seja, em termos locais e nacionais, o maior já registrado.

Em meados de 2008 eu já tinha algum conhecimento que a situação da Islândia era ruim, graças ao (finado e saudoso) International Herald Tribune. Então, se um cara normal, por meio de um jornal gratuito e relativamente conhecido, tinha alguma noção que as coisas por lá estavam feias, era de se esperar que uma figura graúda do mercado financeiro estivesse superatento quanto a isso, correto?

Em setembro de 2008, após a quebra do Lehman Brothers, que foi a gota d'água para o aprofundamento da crise, eu tive a oportunidade de participar de uma palestra presencial com um importante economista brasileiro do mercado financeiro, que também é autor de artigos que circulam em jornais nacionais.

Em certo momento da apresentação, ao ser perguntado sobre as perspectivas da economia brasileira, ele disse que, apesar da crise, via uma probabilidade razoável de que o Brasil não fosse tão afetado pela crise. Afinal, segundo ele, o Brasil "não era uma Islândia, que tem uma economia bonitinha, toda arrumadinha, mas ninguém vai investir muito lá, porque é um país muito pequeno".

Nessa hora fiquei impressionado, será que esse figurão não tinha ouvido falar dos prenúncios de uma crise terrível que se avizinhava por lá?

Não estávamos falando da sucessão real no Butão, mas de crise financeira, em mercados bastante interconectados. De fato, embora a Islândia seja um país pequeno, seus mercados estavam bastante entrelaçados, especialmente com os do Reino Unido, que é um importante centro financeiro mundial. Dias depois a coisa por lá explodiu, e repercute até hoje.

Até hoje me pergunto como essa figura de inquestionável competência pôde ter ignorado a crise da Islândia. Sem dúvida alguma ele tinha bastante coisa para fazer por aqui, pois a situação no mercado brasileiro também foi bastante tensa. Mas, considerando a interconectividade do mercado financeiro, fiquei impressionado.

Uma das forças do mecanismo de mercado é agregar conhecimento que uma pessoa só (ou mesmo um grupo razoável de pessoas) não conseguiria processar de outra forma. Ainda assim, fico surpreso com o fato desse figurão ter ignorado, até aquele ponto, os sinais de que a Islândia ia mal financeiramente.

Apesar desse pequeno tropeço, os artigos desse economista são excelentes e os leio sempre que posso.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Vergonha alheia — até hoje não consegui ver isto até o fim

Como disse um comentarista no Youtube: "Será que antigamente as pessoas não tinham vergonha?!"

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Vote no Pinguim

Hoje estava folheando o livro "Meu Diário de Pesquisas" (4ª edição, 1993) de João Alves Gomes e Jair Caetano.O livro parece se propor a ser uma pequena enciclopédia para pesquisar escolares, e traz artigos, ilustrados, de tópicos como "A Revolução de 31 de março de 1964", "amendoim" e "democracia".

O artigo sobre democracia traz uma foto que, pelo menos para mim, é muito curiosa:


Uma cabine eleitoral, com a costumeira divisória de papelão, só que com uma propaganda de cerveja. Apesar da edição ser de 1993, a foto — sem crédito ou data — parecer ser de bem antes, talvez da década de 1970. 

Se alguém souber algo a respeito, seria interessante compartilhar, nunca vi ou ouvi falar dessa prática.

Um candidato com o seu próprio encurtador de URLs

Quem é mais tecnófilo na corrida presidencial dos EUA? Talvez o (supostamente) tuiteiro Obama?

Pode muito bem ser, mas fiquei um pouco impressionado de Mitt Romney (e/ou sua assessoria) ter seu próprio encurtador de URLs, por exemplo, mi.tt/xY1kSR .

Trinidad e Tobago agradece(m)!

EngoleLogoUmaJacaEntão

Coloco abaixo o  EngoleLogoUmaJacaEntão, "terceiro episódio da série ENGOLERVILHA. Mais desagradável, mais pútrido, mais fétido. E desnecessário."

O primeiro está aqui e o segundo, aqui.

Nenhum dos três é recomendado aos facilmente ofendidos ou de elevada sensibilidade. Aos demais, bastante recomendado. O EngoleLogoUmaJacaEntão é o único filme que já me fez ficar com dor de barriga... de tanto rir.